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vendredi 9 septembre 2011

Indo pra muito longe

Quero ir embora de mim
Estou cansada das impossibilidades
Das muitas distâncias, intransponíveis
Do abismo que separa o que sei do que desejo
O que quero do que não posso ter
Quero ir embora de mim
Cruzar a ponte
Partir pro infinito
E nunca mais voltar pra cá.

Karol.


mercredi 7 septembre 2011

dimanche 4 septembre 2011

A ordem das coisas altera a vida

Tiro os sapatos pra caminhar quando chove, disse ele, a propósito da tormenta que caiu sobre a cidade. Ela escutou, em silêncio. Pareceu poético e ressoou dentro dela como a Valse Sentimentale de Tchaycovsky ressoaria em um quarto escuro onde, sentado num canto úmido, estivesse um romântico abandonado.
E pensando nas palavras dele ela metaforizou seus próprios sonhos:
Tirar os sapatos pra sentir o chão molhado, libertando os dedos das convenções, do escuro das obrigações, do aperto e da necessidade de cumprir com a função: pé vestido é homem sério. Pé descalço é criança.  É imaginação.
Ele tirava os sapatos, pensava ela, para oxigenar as unhas, molhar a pele, sentir o chão se resfriar embaixo dele, pisar uma pedra e sorrir com a dor que o sapato fechado lhe impediria de sentir, uma dor engraçada que ele só lembrava de sentir quando era menino e andava por aí livre, sem sapato, sem documento e sem parafusos...
Talvez tirasse os sapatos dos pés para ver a agua doce, da chuva boa, correr sobre e entre os seus dedos livres e fazer pocinha mais adiante onde, seguramente, mais tarde, outro menino iria brincar. Ele deixava a responsabilidade do homem pendurada nos sapatos, descansando tão  tranquilamente no balanço dos seus passos, que se alguém  pudesse enxergar além dos próprios olhos, de perto ou de longe, veria alegria balançando em um sapato, sem nunca suspeitar da responsabilidade desobrigada que realmente havia lá. Com os pés descalços, sonhava ela, ele assumia o suspiro da criança que existia, silente, dentro dele, há muito tempo.
Então esboçou um leve sorriso porque o seu coração se alegrou com o sapato pendurado, longe do pé, perto da infância. E continuou rabiscando, na imaginação, os devaneios que o engrandeciam diante dos seus olhos, quando ele a interrompeu, estirando suas palavras como corda para tirá-la das nuvens onde se havia sentado com suas fantasias coloridas, para explicar: “É Claro, não sou idiota, tiro os sapatos para não estragar o couro”.
A explicação dele implodiu o sorriso dela nas suas origens mais sinceras e a obrigou à mais profunda indiferença. “Algumas explicações são piores que ofensas”.
Foi aí que a moça entendeu que quando as primeiras gotas de chuva precipitam sobre a Terra, algumas pessoas tiram rapidamente os sapatos dos pés, pensando nos sapatos e em tudo o que eles implicam. Enquanto outras tiram rapidamente os pés dos sapatos, porque acreditam que os pés ainda valem mais...
Ele não entenderia, ainda que ela quisesse explicar, e sabendo disso, continuou em silencio, mas já não sorria.

Karol.

samedi 3 septembre 2011

Então é assim...!

Não escrevo há alguns dias.
E a razão disso já nao é que não saiba onde as palavras estão, como algumas semanas atrás.
Agora eu as vejo tremeluzindo a curta distancia da minha mente, mas não quero estirar a vontade para alcancá-las nem uns quantos centímetros.
Não quero eternizar, em desenhos verbais, o que está por dentro de mim.
Quando o ano começou, no meio do nada, encostada no Índico, nunca poderia imaginar as complicacões das quais eu seria protagonista, conforme decorressem os dias.
Agora, sobre o Atlântico, me afogo em incompreensões. 
Há uma larga lista das coisas que não sou, dos lugares onde não estou e para onde não vou.
Há apenas uma pessoa com quem me dói não estar.
Há muitos dons que amargo não possuir.

Fora poeta cantaria meus lamentos. Não o sou.
Fora escritora eternizaria minhas frustracões em lindas crônicas. Não o sou.

Não sou médica, ainda, e inúmeras vezes duvido de se o quero ser realmente, pesem as determinacões do destino.
Não sou romântica, nem isso.
Venho de exercer um cristianismo fajuto, inexpressivo.
Recordo, frequentemente, um passado que nunca se repetirá.
Em suma: tenho 24 anos, muitas entrelinhas,demasiadas folhas em branco e pouca vontade(ou seria coragem?) de preenchê-las.
Tenho quase 25 anos, na verdade, e sinto que o drama da minha vida não passa de um folhetim vagabundo, desses que o meu avô comprava em bancas de revista.
A única diferença é que os que ele lia, eram puramente policiais e esbanjavam adrenalina.
No livro desagradável que eu protagonizo, o único sentimento transbordante é a frustracão...!
E, sejamos sinceros, quem pagaria para ler semelhantes linhas?
Eu, honestamente...Não!

Karol.

mardi 9 août 2011

Casa

Estou em casa...
Muitas coisas estão diferentes e outras tantas seguem iguais.
Estando em casa sei que algumas rotinas fazem bem ao coração, e estando em casa sei quão agressivas podem ser outras rotinas.
Não fosse esse vazio, essa tristeza mansa que tenta se apoderar dos meus pensamentos de vez em quando, eu poderia dizer que estou plenamente feliz por estar aqui. Mas sei exatamente o que me falta. E essa dor mansa tem nome. Se chama saudade. :(

Karol.

jeudi 4 août 2011

Neutralidade emocional

Sou Karol de novo.
E nao sinto nada. Nem bom nem ruim. Quando isso acontece sou extremamente consciente da necessidade que tenho de Deus, e essa música me tras paz! :)

Karol.

mardi 2 août 2011

02 de agosto

 
"Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. no começo achei que aqueles homens não batiam bem. porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso.depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. e que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. e que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. logo pensei de escovar palavras. porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. começei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado a escovar palavras. logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. eles acharam que eu não batia bem. então eu joguei a escova fora."
                                                                    Manoel de Barros